Existe relação entre o esporte e o empreendedorismo?

Existe relação entre o esporte e o empreendedorismo?

Quando pensamos em performance, vitórias e superação de resultados podemos começar a conectar o esporte ao empreendedorismo

 

A resposta é “Absolutamente sim!, e, ao considerarmos os aspectos fundamentais que compõem cada uma das áreas, perceberemos que são, na verdade, análogas.

No Brasil, no que diz respeito à condição do esporte como área profissional, a Constituição Federal de 1988 destaca que o esporte de rendimento é uma das três formas de manifestação do desporto no país, e a Lei nº 9.615/98 (conhecida como Lei Pelé), em seu art. 3º, destaca que o desporto de rendimento profissional caracteriza-se “pela remuneração pactuada em contrato formal de trabalho entre atleta e a entidade de prática desportiva”.

Entretanto, consideramos aqui o rendimento esportivo dos atletas como objeto de discussão principal, pois é no desempenho, sobretudo nos resultados provenientes do desempenho, que habitam os fatores que determinam o sucesso desses profissionais peculiares.

Para Tubino (1987), o esporte de rendimento (performance) “traz consigo a procura de constantes êxitos esportivos como: vitórias sobre adversários, ultrapassagem das próprias marcas e obtenção de recordes”. E é justamente quando pensamos em performance, vitórias e superação de resultados que começamos a conectar o esporte ao empreendedorismo. Todo atleta que pretende conquistar objetivos e resultados, independentemente do nível da sua prática, precisa perceber sua trajetória e carreira como o seu principal empreendimento.

Na dinâmica do atual mercado profissional, a mentalidade empreendedora não é só privilégio das grandes organizações e empresas. Qualquer profissional que queira investir no seu próprio negócio, mesmo que o seu principal produto seja fruto do seu desempenho esportivo, deve apropriar-se e empoderar-se dos atributos provenientes do mind set empreendedor. Empreendedorismo, segundo o Sebrae, “é a capacidade que uma pessoa [ou organização -] tem de identificar desafios e oportunidades, desenvolver soluções e investir recursos na criação de algo positivo”, seja para a sociedade, seja para benefício próprio.

Sendo assim, atletas de alta performance, mesmo dispondo do suporte de equipes multidisciplinares, como treinadores, fisioterapeutas, médicos, nutricionistas e psicólogos, devem gerir as suas carreiras e performances com protagonismo, responsabilidade, desenvolvendo o melhor de si através de um processo de capacitação continuada. Esse processo envolve riscos inerentes, pois o ambiente esportivo é um cenário de incertezas e alta competição, em que a busca por eficiência, eficácia e constância é exaustiva e custosa.

 

O pensamento empreendedor, segundo Longenecker e Shoen (1975, p. 27), valoriza o profissional que assume o papel de protagonista do seu empreendimento, decidindo sobre objetivos e metas, como e onde usar recursos, buscando inovar e criar continuamente. O empreendedor identifica oportunidades e assume riscos em cenários de incerteza. Dessa forma, responsabilidade, autonomia, inovação e riscos são componentes que fazem parte também da carreira de qualquer atleta de alto desempenho, do mesmo modo que constituem a essência do empreendedorismo.

No início da história do esporte, a sociedade percebia os atletas e a prática esportiva como amadora. Todavia, com a evolução do ambiente esportivo nas últimas décadas, os atletas transformaram-se em profissionais com características bem definidas, visto que o mercado esportivo adquiriu propriedades de outros ambientes mercadológicos.

Em um mundo altamente volátil, complexo, incerto e de transformações contínuas, é indispensável que o atleta de alta performance seja um empreendedor que compreenda a sua própria carreira como uma plataforma de negócios. É imprescindível identificar oportunidades, investir recursos, buscar capacitação continuada e assumir riscos, pretendendo, assim, o desenvolvimento, a longevidade e resultados cada vez melhores para o seu “empreendimento”.

Check list de um atleta & empreendedor de sucesso

 

  • Assume responsabilidades e riscos;
  • Tem autonomia;
  • Sonha racionalmente;
  • Possui capacidade de realização;
  • Busca resultados de longo prazo;
  • Planeja;
  • É inovador;
  • Tem flexibilidade e capacidade de adaptação;
  • Investe em capacitação continuada;
  • Possui capacidade de aprender e desaprender;
  • Transforma pensamentos em ações;
  • Tem pragmatismo e discernimento;
  • Sabe construir uma rede de apoio;
  • Cultiva a inteligência emocional.

Referências:

LEI nº 9.615, de 24 de março de 1998 (Lei Geral do Desporto ou Lei Pelé).

 

TUBINO,M.J. Teoria geral do esporte. São Paulo: Ibrasa, 1987.

MAS AFINAL, O QUE É EMPREENDEDORISMO? Sebrae, 2019. Disponível em: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae. Acessado em: 22 março 2021.

Longenecker J. e Schoen, J. (1975). The essence of entrepreneurship. Journal of Small Business Management, 13(3),26-32.

André Heller é Campeão Olímpico pela Seleção Brasileira de Vôlei. Foi atleta profissional por 24 anos, sendo 12 dedicados à Seleção. Campeão Mundial em 2006 e 6 vezes Campeão da Liga Mundial. Atua como palestrante há mais de 10 anos. Formado em Gestão Aplicada ao Esporte FIA/USP e Neurocoaching – Neuroleadership Institute Brasil. Suas palestras já foram assistidas por mais de 30 mil pessoas.

Por |2022-06-08T11:48:03-03:00maio 6th, 2021|Sem categoria|0 Comentários

Artigo do André Heller: Esporte e empreendedorismo – Portal Web Vôlei

Artigo do André Heller: Esporte e empreendedorismo - Portal Web Vôlei

Existe relação entre o esporte e o empreendedorismo?

A resposta é absolutamente sim! E, ao considerarmos os aspectos fundamentais que compõem cada uma das áreas, perceberemos que são, na verdade, análogas. No Brasil, no que diz respeito à condição do esporte como área profissional, a Constituição Federal de 1988 destaca que o esporte de rendimento é uma das três formas de manifestação do desporto no país, e a Lei nº 9.615/98 (conhecida como Lei Pelé), de 1998, em seu art. 3º, destaca que o desporto de rendimento profissional caracteriza-se “pela remuneração pactuada em contrato formal de trabalho entre atleta e a entidade de prática desportiva”.

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Por |2022-06-08T11:46:39-03:00abril 16th, 2021|Sem categoria|0 Comentários

Vôlei Renata une esporte e tecnologia em curso comandado por campeão olímpico

O coordenador técnico do Vôlei Renata e sócio da Neuroesporte, André Heller lançou um curso online para unir esporte e tecnologia. O campeão olímpico visa atender interesses de técnicos, preparadores físicos e professores da área, chamado de “Neurociência aplicada ao Esporte”.

“O que me deixa entusiasmado é que atingimos profissionais do Brasil, dos Estados Unidos e da Argentina. Muitos deles estão nos mandando mensagens particulares dizendo como o curso mudou seu mindset e ampliou a possibilidade de atuação profissional, inclusive durante a quarentena”, concluiu Heller

“A quarentena foi um período considerado ótimo para este lançamento. Além de oferecer aos profissionais uma forma de auto-desenvolvimento, oferecemos também uma possibilidade de eles manterem-se ocupados, aplicando os treinos cognitivos em seus alunos e atletas à distância”, completou o profissional do Vôlei Renata.

Os treinamentos cognitivos atuam diretamente nas funções executivas dos atletas da equipe. Durante o curso é explicado como essa metodologia – amplamente praticada nos Estados Unidos – funciona, apresentando seus benefícios e demonstrando diversos exemplos. São mais de três horas de aulas gravadas em vídeos.

“São, no total, sete módulos. Cada módulo contém materiais extras, como artigos, quizzes e auto-avaliações. O sétimo módulo é praticamente um bate-papo, no qual eu narro grandes histórias de minha jornada como atleta”, explicou.

Foto: Crédito: Divulgação/Vôlei Renata
Fonte: Torcedores.com

Por |2020-09-10T09:10:16-03:00setembro 8th, 2020|Sem categoria|0 Comentários

Curso de André Heller: “Neurociência aplicada ao esporte”

O campeão olímpico André Heller, coordenador técnico do Vôlei Renata e sócio da NeuroEsporte, lançou um curso online sobre “Neurociência Aplicada ao Esporte”. Ele se encontra na plataforma Udemy e foi elaborado para técnicos, preparadores físicos e professores de educação física.

A NeuroEsporte possui três grandes focos de atuação: a aplicação de avaliações de performance cognitiva, que avalia, dentre outras coisas, o tempo de reação, o tempo de decisão e o controle de impulsividade do atleta; a aplicação de treinamentos cognitivos, com equipamentos tecnológicos, importados dos Estados Unidos e da Europa; e a capacitação, através de coaching, palestras, workshops e cursos.

– A NeuroEsporte é a junção de duas paixões: a neurociência e o esporte – afirma Heller. – Levando em consideração esse terceiro pilar da NeuroEsporte, a Larissa e eu lançamos o nosso curso online. Achamos a quarentena um ótimo momento para fazermos isso, pois, além de oferecer aos profissionais uma forma de auto-desenvolvimento, oferecemos também uma possibilidade de eles manterem-se ocupados, aplicando os treinos cognitivos em seus alunos e atletas à distância.

Segundo Heller, treinamentos cognitivos, que atuam diretamente nas funções executivas dos atletas, são o assunto central do curso.

– São, no total, sete módulos. Cada módulo contém materiais extras, como artigos, quizzes e auto-avaliações. O sétimo módulo é praticamente um bate-papo, no qual eu narro grandes histórias de minha jornada como atleta – explica André. – O que me deixa extremamente feliz e realizado é que atingimos profissionais do Brasil, dos Estados Unidos e da Argentina. Muitos deles estão nos mandando mensagens particulares dizendo como o curso mudou seu mindset e ampliou a possibilidade de atuação profissional, inclusive durante a quarentena. Me sinto muito honrado – conclui Heller.

Foto: Carlos Eduardo – Instituto Compartilhar
Fonte: webvolei

Por |2020-09-10T09:10:20-03:00setembro 8th, 2020|Sem categoria|0 Comentários

Poder da mente? Campeão olímpico aposta em neurociência e tenta quebrar barreiras no Brasil

O começo não foi assim tão fácil. Quando deu seus primeiros passos dentro de quadra, André Heller precisou ter paciência até descobrir qual o caminho a seguir. Aos poucos, viu que o seu controle emocional diante dos principais desafios seria seu maior diferencial na carreira. Campeão olímpico em Atenas 2004 e prata em Pequim 2008, acumulou títulos e fez parte da geração mais vencedora do país até se aposentar, em 2014. Agora, como coordenador técnico do Vôlei Campinas, tenta passar para os jogadores, clubes e até outros esportes um lado ainda pouco explorado no país: a neurociência ligada ao esporte.

Heller se interessou pelo assunto ainda quando jogador. Sempre quis entender melhor o quanto a capacidade cognitiva do atleta influenciava nas partidas e passou a fazer cursos relacionados ao tema. No time de Campinas, conheceu Larissa Zink, ex-nadadora e coach esportiva, e que abriu ainda mais a mente do ex-jogador. Juntos, formaram uma empresa que, hoje, tenta levar a importância do trabalho cognitivo para o esporte no país.

– Eu já era muito interessado sobre a questão da inteligência emocional. Eu entendi a partir do momento que vi que era meu diferencial competitivo. Conheci a Larissa, em 2010, em um time muito limitado, eu era dez anos mais velho que o segundo mais velho do time. Eu mergulhei de vez nesse assunto, de inteligência emocional, e a Lari liderando a neurociência integrada ao esporte, ao treinamento cognitivo. A Larissa voltou (ao Campinas) em 2014, com várias especializações neurociência ligada ao esporte. Há pouco mais de um ano nasceu a Neuroesporte – disse o jogador.

Sócia de André Heller, Larissa aplica conhecimentos de neurociência no esporte — Foto: Divulgação

Sócia de André Heller, Larissa aplica conhecimentos de neurociência no esporte — Foto: Divulgação

Os dois, com a ajuda de uma neurologista, tentam aplicar conhecimentos cognitivos no treinamento de atletas. O trabalho, dividido em etapas, passa por uma avaliação dos atletas até treinamentos específicos para tempo de reação, tomada de decisão e controle de impulsividade.

– As pesquisas mostram que o atleta chega a tomar de 5 mil a 6 mil decisões em um evento esportivo. Nós, ao longo do dia, tomamos duas mil, três mil decisões. É, claro, mais bem sucedido aquele atleta que toma as melhores decisões. Só que, para tomar as melhores decisões, os atletas têm de ter algumas competências que são básicas, que é a atenção, entender qual o estímulo mais relevante, controle de impulsividade, de não fazer sempre o que der na telha, e a flexibilidade cognitiva, que é conseguir alterar a ação ao vivo e a cores, enquanto você está fazendo ela porque chegou uma nova informação – disse Larissa.

Durante a pandemia, os dois organizaram um curso para capacitar outros profissionais esportivos, sejam treinadores ou professores. Acostumado ao método de treinamento intensivo, Heller afirma que o trabalho serve para apontar outros caminhos, já explorados no exterior.

– Nos Estados Unidos, na Europa, já está na cartilha de qualquer treinador. Aqui, a maioria ainda não entende, nem tem consciência da demanda, da importância. No Brasil, sempre se falou em quantidade de treinos. Horas absurdas. E eu mordo a minha língua, eu era leão de treino, achava que valia mais a quantidade. Mas a atleta que fazia 100 arremessos para se sentir confiante, se colocar esse componente estressor, cognitivo, para ter o mesmo resultado, pode fazer 50. Estamos falando de qualidade de treinamento.

André Heller e sócia usam aparelhos para medir capacidade cognitiva de atletas — Foto: Divulgação

André Heller e sócia usam aparelhos para medir capacidade cognitiva de atletas — Foto: Divulgação

A iniciativa ainda conta com certa resistência no país. No curso, Heller conta suas histórias dentro do esporte para quebrar essas barreiras e abrir a mente dos alunos e atletas.

– É o paradigma que estamos quebrando. Inclusive, a minha fala no curso é mais de contar histórias. E alguns conceitos inserimos nessas histórias, para gerar uma abordagem de aproximação com professores e técnicos. Um dos grandes desafios do curso é fazer com que essas pessoas, professores, técnicos e entidades esportivas, independentemente do tipo de entidade, entendam que esse conhecimento não é um componente que vai dividir a atenção dos grupos de interesse. Na verdade, vai agregar valor. O atleta mais preparado intelectualmente, cognitivamente, não vai ser um atleta que vai dividir a concentração e perder performance. Pelo contrário. Ele agrega valor à performance.

Os exercícios tentam fazer com que o atleta aumente o poder de decisão diante das variáveis dentro da partida. E, assim, diminuir o risco de que fatores externos influenciem no desempenho.

– Quantas vezes já não ouvimos no esporte a frase “Hoje não foi o meu dia”? A gente quer minimizar esse impacto. Não é nem minimizar, é potencializar a performance. Porque você pode até estar em um dia não tão bom fisicamente, não conseguiu ter uma boa noite de sono, tem alguma questão pessoal incomodando. Mas o componente cognitivo pode compensar isso. É como um investimento, tem que diversificar seus investimentos (risos). O atleta preparado cognitivamente, vai equacionando esses componentes. O ideal é que esteja em alto nível em todos eles.

Fonte: GloboEsporte – Por João Gabriel Rodrigues — Rio de Janeiro – 

Por |2020-09-10T09:10:54-03:00setembro 2nd, 2020|Sem categoria|0 Comentários

3 lições do esporte para as “quadras corporativas”

O nome André Heller (capa) nos remete a recordar de um verdadeiro vencedor. Um dos protagonistas da geração mais vitoriosa do voleibol mundial, o ex-atleta conta o que aprendeu em 24 anos no esporte de alta performance e como algumas questões podem ser reproduzidas nas organizações.

Confira abaixo:

1) O poder da OBSERVAÇÃO

Em vários momentos da nossa vida profissional, deparamo-nos com circunstâncias nas quais somos assombrados pela tentação de desistir. No entanto, é fundamental que saibamos que o propósito é sempre maior do que qualquer atribulação. A ciência já provou que a maneira com a qual observamos determinadas informações, interferem na realidade. Ou seja, nós temos o poder de alterar as circunstâncias por meio da nossa observação.

“Muitas vezes, ouvi de treinadores e técnicos que eu não era capaz de fazer parte de determinada competição ou até mesmo de uma equipe, ou, na ocasião de um jogo, depois de um erro cometido, acabei sendo substituído e fui para o ‘banco de reservas’. Inúmeras vezes passei por isso e não raramente percebi a circunstância como um julgamento negativo, uma desaprovação e até mesmo uma condenação. Em todos os casos, a minha reação inicial resultava em frustração e raiva, responsabilizando o ‘avaliador’ pelo meu fracasso, e, nos primeiros minutos, revelava-se uma vontade de renunciar o meu objetivo”, diz André Heller.

Podemos observar uma dificuldade como motivo para desistir ou desacreditar, porém, por outro lado, podemos considerar que a dificuldade é uma ótima possibilidade de aprendizado. Um fracasso pode ser visto como uma derrota ou ser observado e percebido como uma possibilidade de tentar novamente, agora fortalecido pela experiência anterior. A nossa observação define quais informações são possibilidades, e qual possibilidade será a nossa realidade.

2) O poder da MOTIVAÇÃO

A motivação pode ser considerada como o primeiro elemento fundamental para a excelência e o fator que nos motiva de forma mais eficaz e duradoura é a paixão. Em qualquer profissão, a paixão deve estar presente, caso contrário, em algum momento, nosso cérebro se cansa e acaba por se acomodar.

Ainda, de acordo com Heller, o fato é que ter paixão pelo que fazemos não pode ser somente um sentimento, mas, sim, uma prática traduzida em ações. O profissional movido pela motivação e paixão coloca em prática algumas ações que alavancam o seu desempenho, entre elas a dedicação, a capacitação e o engajamento, construindo um círculo virtuoso.

É preciso dar especial atenção ao engajamento, pois é com ele que nos conectamos emocionalmente com o nosso propósito, transformando a nossa profissão ou qualquer atividade que realizamos em missão!

3) O poder da ESCOLHA

Dedicação, capacitação e engajamento são componentes fundamentais no processo de alta performance e excelência, contudo, mais do que componentes, são comportamentos, e é imprescindível sabermos que comportamento é escolha, é decisão!

“Quando decidimos por determinado comportamento, o fazemos em detrimento de outros. Tão importante quanto aquilo que escolhemos, é aquilo que deixamos de fazer com a nossa decisão. Quando escolho me dedicar, escolho também não fazer de qualquer maneira. Quando escolho fazer agora, escolho também não procrastinar”, afirma o Campeão Olímpico.

Segundo um estudo do Instituto de Neurociência de Nova Iorque, fazemos milhares de escolhas de comportamento por dia. E a primeira grande escolha que fazemos acontece quando acordamos. Nesse momento, temos o poder de escolher se seremos vítimas das circunstâncias que nos desagradam ou escolhemos ser protagonistas da nossa história. E ser protagonista implica em reconhecer que somos totalmente responsáveis pela nossa jornada.

Foto: Vira Comunicação

Matéria publicada: RHpravocê

Por |2020-09-10T09:12:27-03:00agosto 14th, 2020|Sem categoria|0 Comentários

Medalhista de ouro dá dicas para seguir com o plano B

André Heller aposta no autoconhecimento e não vê a experiência prévia na área como fator determinante para o sucesso em um novo empreendimento

Na carreira de sucesso do ex-jogador de vôlei André Heller não faltam conquistas, estratégias e planos. A paixão pela modalidade é herança de família – seu pai foi jogador e técnico em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Foi lá também que a sua carreira começou a despontar.

Nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, o atleta fez parte da equipe que trouxe o ouro para o Brasil e quatro anos depois, em Pequim, conquistava a prata. Também trilhou uma carreira internacional e representou dois clubes italianos.

Com a experiência de quem teve tomar um novo rumo após deixar as quadras, André Heller, que atualmente é palestrante e comentarista esportivo, sabe que é muito comum as pessoas só pensarem em plano ‘B’ quando o ‘A’ não funciona. “O cenário ideal é que os profissionais estejam preparados para enfrentar os imprevistos e obstáculos desde o início do processo, pois as dificuldades fazem parte de toda a jornada de sucesso”

André acredita que ter experiência na área que deseja em empreender não é determinante para dar start ao plano B. “O fator humano prevalece em relação ao conhecimento técnico, que pode ser sempre ser adquirido”.

Mas como saber se chegou a hora de priorizar o plano B e se ele de fato se transformou na primeira opção? “O autoconhecimento é fundamental para percebermos e entendermos quais são os sinais que indicam que chegou a hora de priorizar, escolher ou até mesmo considerar a possibilidade de gerir as atividades concomitantemente. Algumas perguntas podem ajudar na análise: Qual é o cenário ideal para mim? Com qual frequência ocupo os meus pensamentos com cada atividade?  Estou sendo efetivo em ambas? O plano em execução está interferindo negativamente no meu emprego fixo? Estou realizando nos dois trabalhos? De 1 a 10 quanto me sinto engajado e realizado em cada área? As respostas vão ajudar na análise da situação e em possíveis decisões a serem tomadas ao longo do processo”, sugere.

 

Matéria dada ao R7:

Por |2020-09-10T09:12:25-03:00agosto 14th, 2020|Sem categoria|0 Comentários

15 anos depois, Heller lembra ouro em Atenas: “Batalha contra nós mesmos”

Há exatos 15 anos, neste mesmo dia 29 de agosto, a seleção brasileira masculina de vôlei conquistou o segundo ouro de sua história na Olimpíada de Atenas, na Grécia. O ano era 2004 e aquela medalha representava o ápice para uma equipe, vista por muitos como a melhor de todos os tempos, que exerceu amplo domínio naquela década, se transformando em uma máquina de produção de títulos em série.

Neste aniversário de 15 anos, o conversou com um dos “elos”, como ele mesmo coloca, daquele time. André Heller, meio de rede que se sagrou campeão de tudo com aquela geração e hoje atua como embaixador/coordenador do Vôlei Renata, de Campinas, relembrou alguns momentos daquela final contra a Itália, vencida por 3 a 1 (15-25, 26-24, 20-25 e 22-25), e falou, entre outros assuntos, sobre a importância da filosofia de trabalho e excelência implantada entre os atletas para que os objetivos fossem alcançados.

Confira a entrevista abaixo:
Saída de Rede – André, se você entrasse em uma espécie de túnel do tempo e voltasse ao dia daquela final, do que você mais se lembraria? Como foram as horas que antecederam aquela decisão contra uma Itália que tinha jogadores, como os opostos Andrea Sartoretti e Alessandro Fei, e que já tinha dado muito trabalho ao Brasil na fase classificatória [os brasileiros haviam derrotado os italianos apenas no tie-break na fase preliminar]?

André: Naquele momento, a final olímpica significava para nós muito mais do que uma vitória contra a Itália. Porque nós estávamos em um processo desde 2001 de conquistas de todos os campeonatos possíveis. Por mais que tenha acontecido a derrota no Pan-Americano de 2003, a gente encarava a nossa jornada até aquele dia como uma etapa de preparação para a “cereja do bolo”, o “grand finale”, que é o que todos os atletas do mundo almejam: uma medalha de ouro olímpica. Então, na verdade, a nossa maior batalha foi contra nós mesmos porque sabíamos que não éramos melhores do que os italianos, mas estávamos em um momento melhor do que eles.

O nosso período de preparação foi muito intenso e a nossa entrega foi tão grande que acredito que nenhum de nós tinha experimentado algo semelhante até então. Mesmo hoje, acho que nenhum de nós teve uma entrega parecida com aquela até hoje, cada um em sua atividade profissional. Era uma grande batalha, mas a gente tinha noção de que, fazendo o nosso melhor, seria só uma questão de tempo mesmo. Sem qualquer soberba, nós estávamos em um momento melhor e nos considerávamos muito merecedores daquilo tudo.

SdR – Então o nível de confiança estava lá em cima, né?

André: Sim, mas isso não significa que a gente estava com uma crença limitante, pensando ‘ok, nós vamos ganhar’. A confiança era na vitória e no que a gente tinha feito até então. Não era possível fazer melhor do que aquilo. Sendo assim, era só a gente colocar em prática que a gente iria ganhar. O foco total era nisso, na apresentação do nosso melhor e assim aconteceu.

SdR – Não existia algum tipo de fantasma internamente? Por exemplo, a própria Itália teve grandes seleções nos anos 1990 e nunca chegou ao ouro olímpico. A seleção masculina de Cuba também não chegou quando teve grandes equipes. Não existia esse fantasma de que a Olimpíada, sendo um torneio de tiro curto, se vocês acordassem mal poderia acabar tudo?

André: Nós entramos em um processo – todos nós, atletas e comissão técnica – de alta performance e excelência, mas não em relação aos resultados. Era uma excelência em relação ao que a gente fazia repetidamente todos os dias. E nessa atmosfera que nós construímos não havia espaço para fantasma. Claro que tudo poderia acontecer, mas só considerávamos uma possibilidade que dependia apenas de nós para se tornar realidade. E foi assim que aconteceu.

SdR – E quando você lembra daquele jogo, o que vem à cabeça? Algum lance específico, a preparação? Qual a primeira coisa que vem à sua mente sobre aquele dia?

André: Eu só tenho lembranças gostosas e fico até emocionado. Um jogo com muita alegria, muita confiança. Estávamos todos mais sincronizados do que nunca, a nossa comunicação ia muito além das palavras, os nossos olhares estavam conectados. Acho que essa é a palavra: conectados. Estávamos todos na mesma frequência e com a energia lá em cima, sabendo que tínhamos vivido uma jornada de quatro anos de muita entrega mesmo. Não vou falar de sacrifício porque eu não gosto dessa palavra, mas fizemos muitas escolhas importantes. Era uma corrente muito forte em que cada um de nós representava um elo. A probabilidade de dar errado, por mais que existisse, era muito pequena e a gente sabia disso.

SdR – E essa corrente não quebrou nem quando a Itália ganhou o segundo set, que foi o mais equilibrado daquela final, né?

André: Não, porque a gente tinha conhecimento de que a dificuldade fazia parte do caminho. E estávamos totalmente preparados, pois havíamos treinado quatro anos, enfrentando todo tipo de adversidade.

SdR – Então você poderia dizer que aquele 29 de agosto de 2004 foi o melhor dia da sua vida?

André: Em termos esportivos, sim, sem dúvida nenhuma. É difícil comparar com o nascimento dos filhos e outros eventos pessoais. É complicado comparar e separar. Não tem como me desconectar dessa questão. É muito profundo para mim porque a seleção e o voleibol transformaram a minha vida. E um componente bastante importante dessa transformação foi a medalha olímpica porque ela representa muito mais do que simplesmente uma medalha, um título ou uma conquista.

Ela representa um processo de excelência, doação, dedicação, engajamento. Representa tudo o que eu posso reproduzir e aplicar em outros contextos da minha vida. É como se a gente tivesse uma receitinha nas mãos, sabe? É uma coisa que a gente guarda de entrega, compromisso, saber trabalhar junto, entender como a gente se complementava e se completava. Para mim, isso é muito profundo. Essa medalha olímpica vai muito além.

Parece que eu estou romântico, mas, de alguma maneira, do nosso jeito, nós sentimos amor uns pelos outros lá dentro. Isso não nos impedia de brigar, discutir, ficar bravo um com o outro. Mas, dentro da quadra, com a sincronia, a comunicação… Isso não tem preço e é muito difícil explicar. Eu podia não estar no melhor dos meus dias, mas tinha certeza de que todos os meus outros companheiros me levariam junto. E isso acontecia com todos nós. A gente sabia que a força da equipe era bem maior do que os indivíduos. Era muito especial.

SdR – E isso não foi só um torneio, foi algo que durou muitos anos, né? Abrangeu Olimpíada, Liga Mundial, Campeonato Mundial, Copa do Mundo. Não foi esporádico, foi duradouro.

André: A nossa jornada durou dois ciclos olímpicos, né? E a gente nunca perdeu essa vontade de entregar todos os dias. As pessoas não tinham acesso aos bastidores e o que elas viam pela TV da nossa entrega e preparação, fazíamos em um nível muito superior no dia a dia. Isso permitia que a gente entrasse nos jogos com adversários, torcida e arbitragem, totalmente preparados e confortáveis. Porque a gente tinha se preparado para isso. Esses oito anos foram realmente muito especiais e eu não tenho dúvida de que foi para todos. A maioria não joga mais, mas tenho certeza de que, cada um na sua atividade, tem essa memória muito viva.

O ex-atleta hoje atua como embaixador/coordenador do Vôlei Renata (Foto: Divulgação/André Heller)

SdR – O vôlei é um esporte coletivo onde um depende fundamentalmente do outro para que aconteça uma jogada. Mas, individualmente falando, que conselho você dá para os jovens atletas que te procuram hoje?

André: Vou responder contando o meu caso. Desde o início da minha carreira, eu sabia que não era um talento do voleibol. Não estou brincando. Se você conversar com os meus técnicos vai comprovar isso. Só que em determinado momento da minha carreira eu pensei: ‘ok, eu posso não ter um talento nato, mas eu tenho a capacidade de construir o meu talento através das minhas escolhas’. Então escolhi treinar muito, me capacitar, me preparar, ser bastante disciplinado.

Eu sempre escolhi seguir à risca o que os professores e treinadores me falavam. E isso foi me condicionando, elevando o meu nível até que consegui chegar à seleção brasileira e aconteceu tudo. Então a primeira mensagem que eu gostaria de deixar para todo mundo é que nós somos humanos e não é a maioria de nós que nasce com super talentos. Mas isso não impede que a gente construa o nosso talento e uma caminhada de excelência. E, de novo, excelência não é só um resultado, uma conquista. É o que a gente faz todos os dias repetidamente.

Isso é muito evidente no esporte. Frequentemente jogadores talentosos se perdem pelo caminho. Enquanto que outros, não tão talentosos, mas conscientes do nível de entrega, preparação, disciplina e estudo necessários, seguem em frente. Não tenho dúvida de que esses atletas que possuem esses conceitos bem claros, se sobressaem e até ultrapassam aqueles com talento nato. Tenho certeza porque sou um exemplo disso.

SdR – O Bernardo costuma falar sobre isso.

André: Sim, ele era um talento nato, foi medalhista olímpico e depois se tornou um dos maiores técnicos do mundo, se não for o maior. Então ele também é um caso de construção de talento. Eu acredito muito nisso porque já vi centenas de casos de profissionais que, através das suas escolhas, alcançaram sucesso, excelência e realização. Ao contrário de pessoas de talento que, por uma concepção equivocada de que aquilo é suficiente, acabam ficando para trás.

Colaborou Carolina Canossa

Entrevista para: saida de rede

Por |2020-09-10T09:12:29-03:00agosto 14th, 2020|Sem categoria|0 Comentários

ANDRÉ HELLER

“Acabooooooou! Acaboooooou! É de ouro! É de ouro a medalha brasileira no voleibol masculino! 25 a 22 para o Brasil! Três sets a um pro Brasil! Que beleza, com o hino brasileiro! É de ouro, medalha de ouro para o Brasil!”. Essa foi a narração de Galvão Bueno quando a seleção masculina de vôlei ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Emocionante e de arrepiar, a final está marcada até hoje na mente dos brasileiros, especialmente daqueles que tiveram a honra de viver esse momento ao vivo e a cores. Ou melhor, daqueles que foram os responsáveis pela grande vitória. O atleta André Heller, central da seleção, era um dos 12 jogadores em quadra que suaram a camisa para chegar ao ápice da carreira: carregar no peito uma medalha olímpica de ouro. “André, qual é a sensação de ser campeão olímpico pela primeira vez?”, perguntou o repórter da TV Globo. “Vou pedir permissão pro Parreira [Carlos Alberto] para usar uma frase que falou quando conquistaram o tetra no futebol: a sensação é que a gente fez alguma coisa na vida. São quatro anos e sem essa história vencedora, não conseguiríamos. A concentração, o treinamento, o sacrifício, tanto tempo longe das nossas famílias, tudo valeu muito pelo que conquistamos”, contou Heller na época, com sorriso de ponta a ponta e felicidade que não cabia no coração.

Heller veio à redação da TOP Magazine para participar da nossa live. Coincidência ou obra do destino, o fato é que exatamente no mesmo dia em que ele esteve aqui, só que há 15 anos atrás, eles conquistavam o ouro em Atenas. Com a medalha no bolso – que fez questão de mostrar e deixar todo mundo vestir e tirar foto – e um sorrisão no rosto, demonstrava a mesma emoção ao descrever aquele dia histórico de 2004. “É uma data muito especial para todos nós, profissionais envolvidos nessa grande conquista: equipe, comissão técnica, departamento médico, confederação brasileira, profissionais que faziam a limpeza da quadra, as pessoas que faziam com carinho a nossa comida no centro de treinamento em Saquarema… Cada um se tornou um guardião – nos foi dito que no verso dela está escrito em grego antigo que nós somos apenas os guardiões. Mas a conquista transcende qualquer tipo de vitória e de título: ela transformou nossas vidas. Foi uma experiência intensa de trabalho, doação, entrega, cultura colaborativa, excelência e alta performance. O símbolo é a medalha, mas o legado vai além de qualquer valor material, qualquer conquista, e isso nós levamos isso pra vida inteira.”

Um ciclo olímpico dura quatro anos. Apesar de muitos acharem que o que vale é o momento final e decisivo, vale lembrar que a vitória só aconteceu por conta dos três anos anteriores. E a seleção venceu praticamente todas as competições nesse período. “Nos sentíamos muito confiantes na época, não por qualquer tipo de soberba, mas porque nos preparamos, trabalhamos de maneira dura, entendendo que éramos uma família e que todos eram importantes.” E o que ele lembra daquele jogo?  “É bem difícil descrever o que aconteceu naquele dia, porque estávamos em êxtase em todos os sentidos. Eu tenho uma memória de entrar no jogo muito concentrado, confiante e alegre. Era a nossa profissão, o que nós amávamos, e por respeito a todo esse processo, era necessário que colocássemos amor e alegria – e assim foi feito. Nós jogamos uma partida regular, constante e a equipe estava mais sincronizada do que nunca.”

 


Ganso campeão

Quem vê Heller hoje em dia, aos 44 anos, com uma carreira de sucesso que durou mais de duas décadas, campeão olímpico, casado com Marcelle Rodrigues – também ex-jogadora de vôlei – e com dois filhos, não imagina que ele já sofreu bullying na adolescência. Fun fact: ele tem dois metros de altura (para ser mais exata, 1,99 m quando não está de tênis ou sapato) e calça 46. “Eu era muito alto, tinha muita perna, e era desengonçado. As pessoas brincavam que eu não sabia caminhar e mascar chiclete ao mesmo tempo (risos). Tinha até um apelido que, no início, me desagradava, mas depois virou carinhoso: ganso, porque eu caminhava igual! Ficava chateado, mas entendi que estava observando como uma ofensa. Parei de enxergar dessa forma e esqueci. Agora, meus grandes amigos do vôlei como o Giba e o Ricardinho nem lembram que sou o André Heller: me chamam de Gansinho (risos).” Brincadeiras à parte, o que importa é que o Ganso virou um campeão. Natural de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e de família humilde, começou no esporte na década de 1990 para aumentar o condicionamento físico e melhorar a asma. Tentou fazer natação e acabou descobrindo que tinhas todas as “ítes” do mundo (sinusite, rinite…), como ele mesmo diz. Passou para o basquete, mas não acertava uma bola no cesto. Por ser bem alto, magro e rápido, conseguiu migrar para o atletismo, mas não era isso que disparava seu coração. “Eu tinha o vôlei no meu DNA, meu pai foi atleta e treinador.

Fotos: Gustavo Lacerda
Matéria: topmagazine.com.br

Por |2020-08-03T09:42:34-03:00julho 28th, 2020|Sem categoria|0 Comentários
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